Estação Afro promove palestra sobre educação antirracista em Pará de Minas

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Encontro com o pesquisador Bruno Egonu será realizado neste sábado (24), na Estação Cultural, e pretende fortalecer a formação de educadores para o enfrentamento do racismo nas escolas

A valorização da cultura afro-brasileira e o combate ao racismo estarão no centro das discussões em Pará de Minas neste sábado (24). A Estação Cultural recebe, das 7h às 11h, a palestra “Ou a educação é antirracista, ou não é educação”, ministrada por Bruno Egonu, mestre em Educação e Docência pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador das relações étnico-raciais. A atividade integra o projeto Estação Afro, realizado pela Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Comunicação Institucional, em parceria com o Coletivo Afroatitude.

Com uma proposta que vai além das manifestações artísticas, o encontro pretende estimular reflexões sobre o racismo no ambiente escolar, a valorização da identidade negra e a importância de práticas educativas comprometidas com o respeito à diversidade. A programação também busca oferecer conhecimentos e ferramentas para que os profissionais da educação reconheçam situações de discriminação e atuem na construção de ambientes mais acolhedores e inclusivos.

Bruno Egonu integra o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Belo Horizonte e possui experiência na abordagem de temas relacionados à diversidade, à inclusão e ao enfrentamento das diferentes formas de discriminação. Durante a palestra, a expectativa é que sejam apresentados dados e reflexões capazes de contribuir para a compreensão de como o racismo se manifesta na sociedade e, muitas vezes, se reproduz de maneira velada no cotidiano escolar.

Cultura, educação e identidade

O responsável pela Estação Cultural, Higor Duarte, destaca que o Estação Afro vem ampliando sua atuação ao combinar apresentações artísticas, palestras e atividades de conscientização. A iniciativa busca reconhecer a cultura como elemento fundamental para a preservação da memória, a formação da identidade e a valorização da história afro-brasileira.

Segundo Higor, a parceria com coletivos e grupos culturais que já desenvolvem trabalhos no município é uma estratégia para fortalecer essas ações e ampliar o alcance das iniciativas.

Para ele, a cultura não se limita às expressões artísticas, mas também está presente na educação e nos processos de construção da identidade. A proposta é garantir visibilidade aos agentes culturais locais e ampliar a presença dessas iniciativas nos espaços públicos, aproximando a população de debates importantes para a sociedade.

Formação de educadores para combater o racismo

O diretor do Coletivo Afroatitude, Rony Morais, ressalta que a formação é uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre as relações étnico-raciais e preparar profissionais para enfrentar situações de preconceito e discriminação nas escolas.

De acordo com Rony, a iniciativa conta com a articulação das secretarias municipais de Cultura e de Educação e prevê a participação de representantes das 34 unidades da rede municipal de ensino. A proposta é fazer com que o conhecimento compartilhado durante o encontro chegue às escolas e contribua para transformar as relações no ambiente educacional.

O diretor chama a atenção para manifestações de racismo que, muitas vezes, são tratadas como brincadeiras, embora possam provocar sofrimento e afetar a autoestima das crianças e dos adolescentes.

“Às vezes, o que é piada para uns é sofrimento e traumas para outros”, destaca Rony Morais, ao defender que os educadores estejam preparados para identificar essas situações e intervir de maneira adequada.

Na avaliação dele, a construção de uma educação antirracista exige conhecimento histórico, compreensão da contribuição da população negra para a formação do Brasil e disposição para enfrentar comportamentos discriminatórios. Esse compromisso deve envolver toda a comunidade escolar, incluindo professores, gestores e demais profissionais que convivem diariamente com os estudantes.

A Lei 10.639 e a valorização da história negra

Outro ponto importante do debate é a aplicação da Lei Federal nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados.

Para Rony Morais, conhecer a legislação e reconhecer a contribuição da população negra para a sociedade brasileira são passos fundamentais para superar estereótipos e fortalecer o respeito à diversidade.

O diretor enfatiza que a educação antirracista também passa pela valorização de características físicas, como a cor da pele, o cabelo crespo e os traços negros, que historicamente são alvo de preconceito. Nesse contexto, a escola tem papel decisivo na construção da autoestima e no desenvolvimento da identidade dos estudantes.

A proposta é que os profissionais tenham condições de abordar esses assuntos com responsabilidade, evitando que situações de racismo sejam minimizadas ou naturalizadas.

A arte como instrumento de transformação

Além da formação teórica, Rony Morais destaca o papel da arte, especialmente do teatro, como ferramenta para desconstruir preconceitos e ampliar as perspectivas de crianças e adolescentes.

Segundo ele, os espetáculos podem apresentar personagens negros em posições de protagonismo, como médicos, reis e outras figuras de referência, ajudando a romper com representações limitadas e estereótipos historicamente reproduzidos.

Ao vivenciar essas experiências, os estudantes têm a oportunidade de reconhecer outras possibilidades para suas próprias trajetórias e compreender a importância da história e da cultura afro-brasileira.

Rony também relembra experiências culturais desenvolvidas em bairros periféricos de Pará de Minas, que contribuíram para ampliar horizontes e estimular o protagonismo de jovens. Para ele, quando a arte e a educação chegam a diferentes territórios, tornam-se instrumentos de transformação social.

Parceria para ampliar o alcance da iniciativa

A realização da palestra na Estação Cultural, em uma área central da cidade, também busca facilitar o acesso e ampliar a participação de profissionais interessados no tema. Para Rony Morais, a união entre o poder público e os coletivos culturais fortalece iniciativas que, durante anos, foram desenvolvidas de forma independente.

A expectativa é que os participantes levem os conhecimentos adquiridos para suas respectivas escolas, multiplicando as reflexões e contribuindo para práticas pedagógicas mais inclusivas.

Mais do que uma palestra, o encontro pretende estimular o compromisso coletivo com uma educação que reconheça a diversidade, enfrente o preconceito e valorize a contribuição da população negra para a construção do país.

SERVIÇO

Evento: Estação Afro — palestra “Ou a educação é antirracista, ou não é educação”

Palestrante: Bruno Egonu, mestre em Educação e Docência pela UFMG e pesquisador das relações étnico-raciais.

Data: Sábado, 24 de outubro de 2026.

Horário: Das 7h às 11h.

Local: Estação Cultural, antiga Estação Ferroviária, Praça Torquato de Almeida, nº 173, Centro, Pará de Minas.

Inscrições: Gratuitas, pelo link disponível na bio do Instagram @culturaparademinas.

Observação: As vagas são limitadas.

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