Campanha “Diga sim à doação de órgãos” mobiliza Pará de Minas para conscientizar sobre a importância de salvar vidas

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Pará de Minas começou esta semana a campanha “Diga sim à doação de órgãos”, iniciativa promovida pelo Conselho Municipal de Saúde, com apoio da Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde.
                A abertura foi realizada na Praça JK, em frente à nova UBS do bairro JK, com um café comunitário promovido pela equipe eMulti. O encontro reunirá profissionais da saúde e moradores em um momento de informação, conscientização e diálogo sobre a importância da doação de órgãos e, principalmente, sobre a necessidade de conversar com a família a respeito dessa decisão.
                Mais do que uma campanha de conscientização, a iniciativa busca mostrar que a doação de órgãos pode representar uma nova oportunidade para pessoas que aguardam por um transplante. Para quem está na fila, um órgão doado pode significar a possibilidade de continuar vivendo, retornar para casa, acompanhar o crescimento dos filhos e retomar projetos e sonhos interrompidos pela doença.

Uma história de vida transformada pela doação

                Um dos relatos que marcará a campanha é o de Jorquilene Costa Silva, de 40 anos, mãe de duas filhas. Há cerca de cinco anos, ela enfrentou uma grave insuficiência cardíaca e recebeu o diagnóstico de que precisava de um transplante.
                Segundo Jorquilene, o período que antecedeu o transplante foi marcado por medo, incerteza e limitações cada vez maiores. Em determinado momento, ela já não conseguia realizar atividades simples do cotidiano sem ajuda.
“Em 2019 para 2020, a gente teve a certeza que eu estava com insuficiência cardíaca e que precisava de fazer o transplante. Foi muito difícil, desesperador, porque eu já estava numa situação de vida ou morte e não tinha mais condições de sair do hospital”, relata.
                A situação chegou a um ponto em que até conversar e realizar tarefas básicas se tornaram grandes desafios. As próprias filhas passaram a exercer o papel de cuidadoras da mãe.
“Era difícil fazer algumas atividades, como subir escada, mas com o passar do tempo até mesmo falar, conversar, fazer as necessidades mais básicas que todo mundo faz, se tornou um desafio muito grande. Eu tinha que ter ajuda de alguém e minhas filhas se tornaram minhas cuidadoras nesse momento”, conta.
                Diante desse cenário, o transplante representava muito mais do que um procedimento médico: era a possibilidade de voltar para casa e para a convivência com as filhas.
                “Eu só pensava em voltar para casa, voltar para minhas filhas. Eu só tinha 60 dias de vida. Foi esse o meu diagnóstico na época”, lembra.
                Hoje, ao sentir o coração transplantado pulsar em seu peito, Jorquilene diz carregar um sentimento permanente de gratidão à família que tomou a decisão de doar.
                “Quando eu sinto ele pulsando no meu peito, eu tenho a sensação do quanto eu sou grata e feliz por ter tido a oportunidade de que uma família me dissesse sim à doação de órgãos e me desse a vida. Devolvesse a vida.”
                Para ela, a experiência demonstra a dimensão que uma única decisão pode alcançar.
“O sim que você dá, a doação de órgãos, ela não salva uma vida, ela salva várias vidas”, afirma.

“Diga sim à vida”

                Com a própria história como exemplo, Jorquilene reforça que a decisão de ser doador precisa ser compartilhada com a família. “Salvar vidas é uma decisão que você pode tomar hoje, conversando com a sua família, e que você pode salvar mais vidas através do sim. A oportunidade de você salvar vidas, só você tem. Está em suas mãos”, destaca.
Ao finalizar sua mensagem, ela deixa um convite à população: “Diga sim à vida, diga sim à doação de órgãos. Salve várias e várias vidas”.

Programação segue durante toda a semana
Após o lançamento na Praça JK, a campanha terá uma programação diversificada em escolas e instituições de ensino do município.
                Na terça-feira, 22 de setembro, serão realizadas rodas de conversa com estudantes da Escola Municipal São Judas Tadeu e da Escola Estadual Ângela Maria de Oliveira, abordando a importância da doação de órgãos.
                Na quarta-feira, 23 de setembro, às 19 horas, será realizada, na FAPAM, a roda de conversa “Quando a morte pode gerar vida: o papel da enfermagem na doação de órgãos!”, reunindo alunos dos cursos de Enfermagem e Psicologia.
                Na quinta-feira, 24 de setembro, a programação terá continuidade com uma roda de conversa com estudantes da Escola Estadual Governador Valadares.
                Na sexta-feira, 25 de setembro, às 9 horas, a campanha promoverá uma passeata pelas ruas centrais de Pará de Minas. No mesmo dia, haverá também uma roda de conversa com alunos do Programa Jovem Aprendiz, na FAPAM.
                O encerramento acontecerá no sábado, 26 de setembro, a partir das 9 horas, na Praça da Matriz, com a ação “Vidas que se encontram”.
                A campanha pretende levar a discussão para diferentes públicos e espaços, reforçando que falar sobre doação de órgãos é também falar sobre solidariedade, esperança e continuidade da vida. E, sobretudo, estimular cada pessoa a conversar com seus familiares sobre sua vontade de ser doador.