
Programa da Prefeitura distribui gratuitamente mudas frutíferas, plantas medicinais e PANCs, incentiva a agricultura urbana e fortalece a segurança alimentar das famílias
Transformar quintais, vasos e pequenos espaços residenciais em verdadeiros pontos de produção de alimentos, plantas medicinais e espécies de uso cotidiano. Essa é a proposta do programa Quintais Produtivos, desenvolvido pela Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Agronegócio, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente.
A iniciativa parte de uma ideia simples, mas de grande impacto: não é preciso morar na zona rural ou ter uma grande área de terra para plantar e colher. Com orientação adequada e mudas de qualidade, pequenos quintais urbanos também podem se tornar espaços produtivos, contribuindo para uma alimentação mais saudável, para a preservação de espécies e até mesmo para a aproximação entre vizinhos e familiares.
O programa prioriza famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), mas também atende a população em geral, produtores da área rural e instituições interessadas em desenvolver espaços de cultivo.

De acordo com a engenheira agrônoma Mahayana Santos, responsável pelo Departamento de Agricultura Familiar da Secretaria, um dos principais objetivos do programa é incentivar a população a voltar a utilizar os espaços disponíveis em casa para o cultivo.
A proposta envolve a produção de frutíferas, plantas medicinais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) — espécies que podem ser consumidas, mas que não fazem parte dos hábitos alimentares mais comuns e, muitas vezes, sequer são encontradas facilmente nos supermercados.
Segundo Mahayana, o conceito amplia a percepção sobre o potencial dos quintais urbanos.
“A gente não precisa ter uma roça, uma área rural para poder estar plantando. Os quintais produtivos podem compor frutíferas, plantas medicinais e as chamadas PANCs”, explica.
Além da distribuição de mudas, a Secretaria também oferece orientação às pessoas interessadas em iniciar ou ampliar o cultivo.
Alimento fresco ao alcance das mãos
Um dos resultados esperados pelo programa é fazer com que as famílias tenham a possibilidade de produzir parte dos próprios alimentos.
Uma pequena árvore frutífera, uma erva medicinal ou mesmo uma hortaliça cultivada em vaso pode representar uma mudança significativa na rotina. Em vez de recorrer exclusivamente ao supermercado, o morador passa a ter a possibilidade de colher diretamente em casa aquilo que será utilizado na alimentação.
Para Mahayana, essa proximidade também ajuda a resgatar o hábito de valorizar os alimentos.
Ela cita como exemplo um pé de acerola que produz mais frutos do que uma família consegue consumir. Nesse cenário, o excedente pode ser compartilhado com vizinhos, parentes ou amigos, criando uma rede espontânea de troca e solidariedade.
“É uma forma de compartilhar mesmo, tanto o alimento. Todo mundo sabe que hoje você tem um pé de acerola produzindo no seu quintal, você não consegue usar todo ele. Então tem aquela coisa de compartilhar a fruta com o vizinho, de mandar para alguém da família”, destaca.
O programa também possui uma importante função social. As famílias inscritas no CadÚnico são priorizadas nas ações de distribuição, especialmente nos kits de mudas frutíferas.
Para organizar esse atendimento, a Secretaria mantém contato com a área de assistência social e realiza inscrições específicas quando são abertas campanhas de distribuição.
A intenção é garantir que as mudas cheguem primeiro às famílias que podem se beneficiar diretamente da produção em seus próprios quintais.
Depois desse atendimento prioritário, a distribuição é ampliada para o público em geral.
“A ideia, a princípio, é dar uma atenção para essas famílias e, depois que esse pessoal pega com a gente e faz a inscrição, a gente abre para o público em geral”, explica Mahayana.
A iniciativa não se restringe aos moradores da área urbana. Produtores e moradores da zona rural também podem participar, ampliando o alcance do programa.
Mudas medicinais estão disponíveis gratuitamente
Durante o atual período de estiagem, a Secretaria está concentrando uma das ações do programa na distribuição de plantas medicinais e aromáticas.
Entre as espécies atualmente disponíveis estão:
- Alecrim;
- Manjericão roxo;
- Manjericão verde;
- Lavanda;
- Capim-cidreira;
- Erva-cidreira;
- Tomilho;
- “Sara-tudo”.
A quantidade e a variedade dos kits podem variar de acordo com a disponibilidade do viveiro.
A retirada é gratuita e pode ser feita diretamente na Secretaria Municipal de Agronegócio, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente.
Serviço
Local: Rua Waldemar de Oliveira, nº 606, bairro Santos Dumont – Pará de Minas
Atendimento: segunda a sexta-feira
Horários: das 8h às 12h e das 13h às 15h30
Distribuição: gratuita, conforme disponibilidade das mudas
Programa funciona durante todo o ano
Embora a distribuição de mudas medicinais esteja em destaque neste período, o Quintais Produtivos funciona durante todo o ano.
As mudas frutíferas costumam ser distribuídas principalmente no final do ano, quando começa o período de chuvas, condição que favorece o estabelecimento das plantas no solo.
A Secretaria já trabalha na produção de parte das mudas que deverão integrar os próximos kits.
A expectativa é de que, no final de 2026, seja realizada uma nova distribuição do chamado Kit Pomar, reunindo diferentes espécies frutíferas para cultivo pelas famílias participantes.
Além da produção própria, a Prefeitura também busca parcerias com instituições do município para ampliar a quantidade e a variedade de mudas disponibilizadas.
Viveiro municipal funciona como espaço de multiplicação
Outro diferencial do programa está no trabalho desenvolvido dentro do próprio viveiro da Secretaria.
O espaço conta com áreas destinadas ao cultivo e à formação de um matrizeiro de plantas medicinais, permitindo que as espécies sejam multiplicadas e posteriormente distribuídas.
O processo também ganhou um componente de participação popular.
A Secretaria tem incentivado as pessoas que retiram os kits a levarem sementes ou mudas de espécies diferentes que possuam em casa.
Podem ser sementes de quiabo, bucha ou outras plantas, além de espécies tradicionais utilizadas por familiares ao longo de gerações.
A ideia é preservar esse conhecimento, ampliar a diversidade do matrizeiro e, posteriormente, multiplicar essas espécies para que possam chegar a outras famílias.
“Às vezes tem uma planta que a mãe usava, a avó usava. Então essas pessoas estão levando para a gente, para a gente poder compor o nosso matrizeiro, multiplicar essas plantas e também estar distribuindo depois”, relata Mahayana.
Conhecimento popular também ganha espaço
A proposta cria uma espécie de ciclo de compartilhamento: a Prefeitura disponibiliza mudas à população e, ao mesmo tempo, recebe novas espécies e conhecimentos trazidos pelos próprios moradores.
Esse intercâmbio pode contribuir para preservar variedades que, com o passar das gerações, correm o risco de desaparecer dos quintais.
Além disso, amplia o repertório de plantas disponíveis para cultivo e fortalece a relação entre conhecimento técnico e saberes tradicionais.
Escolas e instituições também são beneficiadas
O alcance do projeto vai além das residências. Segundo Mahayana, escolas e outras instituições também podem receber mudas para implantação de hortas, jardins e espaços educativos.
O viveiro também já foi utilizado em atividades de capacitação. Neste ano, por exemplo, houve participação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) em cursos realizados dentro da Secretaria durante a Semana do Produtor Rural.
As atividades utilizaram espaços de cultivo e o sistema agroflorestal mantido pela Secretaria.
A Prefeitura também disponibiliza kits para gestores de outros municípios interessados em implantar iniciativas semelhantes.
A proposta, nesses casos, é fornecer material para a formação de um matrizeiro, permitindo que o município beneficiado passe a produzir e multiplicar suas próprias mudas.
Hortaliças também podem chegar aos quintais
Além das plantas medicinais e frutíferas, o espaço mantido pela Secretaria também possui produção de hortaliças.
Quando há excedentes das bandejas utilizadas no cultivo, algumas espécies podem ser doadas à população que procura o viveiro.
Entre os exemplos estão alface e couve.
A iniciativa não possui distribuição permanente, já que depende da disponibilidade da produção, mas representa mais uma oportunidade para quem deseja iniciar uma pequena horta em casa.
A Secretaria também estuda ampliar essa produção, incluindo mudas de tomate, uma cultura que pode ser cultivada inclusive em vasos quando há pouco espaço disponível.
Pequenos espaços podem gerar grandes mudanças
Um dos principais conceitos defendidos pelo programa é justamente mostrar que a falta de um grande quintal não precisa ser um impedimento para começar.
Ervas como manjericão e tomilho podem ser cultivadas em pequenos recipientes. Hortaliças como couve também podem ocupar vasos e espaços reduzidos. Algumas espécies frutíferas, dependendo das características e do manejo, podem ser adaptadas a diferentes ambientes.
Para Mahayana, a experiência de colher aquilo que foi plantado pode estimular mudanças ainda maiores.
“Não tem nada melhor que você estar utilizando algo que você plantou e, quem sabe, isso não estimule essa pessoa a começar a plantar em áreas maiores”, afirma.
A expectativa é que o cultivo doméstico possa, inclusive, despertar o interesse por hortas comunitárias e outras iniciativas coletivas.
Uma cidade que também pode produzir
O Quintais Produtivos transforma uma ação aparentemente simples — distribuir mudas — em uma estratégia que reúne segurança alimentar, educação ambiental, valorização da agricultura familiar, preservação de espécies, sustentabilidade e fortalecimento comunitário.
Ao incentivar que moradores plantem, cuidem e colham dentro de suas próprias casas, o programa aproxima a população do processo de produção dos alimentos e resgata uma prática que, em muitos lugares, perdeu espaço diante da expansão das áreas urbanas.
Em Pará de Minas, a proposta é mostrar que um quintal, uma varanda ou até mesmo um vaso podem ser o primeiro passo para uma relação mais próxima com a terra e com aquilo que chega à mesa.
E, enquanto as famílias aguardam a próxima distribuição do Kit Pomar, as mudas de plantas medicinais disponíveis gratuitamente já oferecem uma oportunidade para começar.





