Prestação de contas aponta mais de R$ 38 milhões já declarados na disputa pelo Palácio Tiradentes; Alexandre Kalil lidera a arrecadação, seguido por Flávio Roscoe, Mateus Simões e Patrus Ananias

A disputa pelo Governo de Minas Gerais nas Eleições de 2026 já movimenta mais de R$ 38,4 milhões em recursos declarados à Justiça Eleitoral. Os números da prestação de contas disponíveis no sistema DivulgaCandContas revelam um cenário de forte concentração financeira entre poucas candidaturas.
No levantamento atualizado até o dia 2 de setembro, quatro candidatos — Alexandre Kalil, Flávio Roscoe, Mateus Simões e Patrus Ananias — concentravam juntos R$ 37.785.979,97, o equivalente a aproximadamente 98,4% de todos os R$ 38.402.646,05 declarados pelas candidaturas ao Governo de Minas no período analisado.
A liderança financeira é de Alexandre Kalil (PDT), com pouco mais de R$ 14 milhões em receitas declaradas. Em seguida aparecem Flávio Roscoe (PL), com mais de R$ 10,1 milhões, Mateus Simões (PSD), com R$ 8,288 milhões, e Patrus Ananias (PT), com R$ 5,336 milhões.
A partir do quinto colocado, a diferença financeira se torna expressiva. Enquanto as quatro principais campanhas já trabalham com estruturas milionárias, os demais candidatos apresentam receitas significativamente menores — e três deles ainda não possuíam recursos declarados no recorte analisado.
Kalil lidera com mais de R$ 14 milhões
O maior volume de recursos declarado até o momento pertence à campanha de Alexandre Kalil, que soma R$ 14.006.300,00.
Praticamente todo o montante tem origem partidária. A Direção Nacional do PDT repassou R$ 14 milhões à campanha. Outros dois registros de R$ 3.150,00 cada completam o total declarado.
O crescimento da arrecadação chama atenção. Em levantamento anterior, realizado no dia 27 de agosto, a campanha aparecia com pouco mais de R$ 7 milhões, o que significa que praticamente dobrou o volume de recursos declarados em poucos dias.
Kalil possui atualmente R$ 3.851.261,88 a mais que Flávio Roscoe, segundo colocado no ranking financeiro.
Flávio Roscoe ultrapassa R$ 10 milhões
A campanha de Flávio Roscoe (PL) declarou R$ 10.155.038,12 em receitas.
Diferentemente das campanhas de Kalil e Patrus, que apresentam forte dependência de repasses partidários, a estrutura financeira de Roscoe reúne uma participação significativa tanto de recursos partidários quanto de doações realizadas por pessoas físicas.
Do total declarado, aproximadamente R$ 4,192 milhões são provenientes de estruturas partidárias, enquanto cerca de R$ 5,963 milhões têm origem em doações de pessoas físicas.
Entre os maiores repasses estão:
- Direção Nacional do PL — R$ 2.600.000,00
- Direção Estadual do PL em Minas Gerais — R$ 1.592.500,12
- Carlos Geo Quick — R$ 900.000,00
- Ailton Ricaldoni Lobo — R$ 500.000,00
- Robert Carlos Lyra — R$ 500.000,00
- Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez — R$ 400.000,00
- Ricardo Annes Guimarães — R$ 400.000,00
- Aroldo Teodoro Campos — R$ 300.000,00
- Lauro José Bracarense Filho — R$ 300.000,00
- Luiz Henrique Andrade de Araújo — R$ 300.000,00
- Maurício de Azeredo Roscoe — R$ 300.000,00
- Sérgio Augusto Guerra de Resende — R$ 300.000,00
A lista de financiadores ainda inclui diversas outras contribuições de valores que variam de centenas de milhares de reais a doações menores.
Roscoe aparece como o segundo maior arrecadador da disputa estadual, embora ainda esteja cerca de 27,5% abaixo do volume financeiro declarado pela campanha de Alexandre Kalil.
Mateus Simões reúne R$ 8,2 milhões
A campanha de Mateus Simões (PSD) declarou R$ 8.288.000,00 em receitas.
A maior parte dos recursos tem origem nas estruturas partidárias.
Os principais repasses são:
- Direção Nacional do PSD — R$ 4.500.000,00
- Direção Estadual do Novo em Minas Gerais — R$ 1.700.000,00
- Direção Estadual do PSD em Minas Gerais — R$ 1.000.000,00
Além dos recursos partidários, a campanha também recebeu doações de pessoas físicas.
Entre os maiores doadores estão:
- Alfonso de Castro Gonzalez — R$ 500.000,00
- Lucas Miguel Simões de Almeida — R$ 250.000,00
- José Maria Bortoli — R$ 200.000,00
- Silvia Carvalho Nascimento e Silva — R$ 100.000,00
- Alarico Assumpção Junior — R$ 15.000,00
- Ataídes de Deus Vieira Pozzi — R$ 15.000,00
- Marcos Ribeiro Simon — R$ 5.000,00
- Luisa Cardoso Barreto — R$ 2.000,00
- Astério Itabayana Neto — R$ 1.000,00
Do total declarado, R$ 7,2 milhões são provenientes das estruturas partidárias, enquanto R$ 1,088 milhão tem origem em pessoas físicas.
Mateus Simões ocupa a terceira posição no ranking financeiro e possui uma diferença superior a R$ 5,7 milhões em relação ao líder Alexandre Kalil.
Patrus recebe mais de R$ 5 milhões do partido
A campanha de Patrus Ananias (PT) declarou R$ 5.336.641,85.
Segundo os dados apresentados na prestação de contas, a totalidade dos recursos tem origem em um repasse realizado pela Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores.
Isso significa que, no recorte analisado, 100% da receita declarada pela campanha é proveniente de recursos partidários.
Patrus ocupa a quarta posição entre os candidatos ao Governo de Minas e fecha o grupo das campanhas que já ultrapassaram a marca de R$ 5 milhões em arrecadação.
O abismo financeiro começa a partir do quinto colocado
Depois das quatro maiores campanhas, os valores declarados sofrem uma queda significativa.
Gabriel Azevedo (MDB) aparece na quinta posição, com R$ 300 mil.
Todo o valor declarado é proveniente de pessoas físicas:
- Ricardo Annes Guimarães — R$ 200.000,00
- Lucas Felipe Melo Couto — R$ 100.000,00
Até o momento do levantamento, não havia registro de recursos do Fundo Eleitoral na campanha.
Cleitinho declara R$ 210,3 mil
A campanha de Cleitinho Azevedo (Republicanos) declarou R$ 210.300,00 em receitas.
Os dados apontam a participação de 17 pessoas físicas no financiamento da campanha e, no recorte analisado, não havia registro de recursos provenientes de fundos públicos.
Entre os maiores doadores identificados estão:
- Eduardo Pinheiro Campos — R$ 100.000,00
- Francisco Antonio Domingos — R$ 30.000,00
- Mauro Celio de Melo Junior — R$ 30.000,00
- Eliesio Carlos Rodrigues — R$ 12.800,00
- Arlindo M. Amaral — R$ 10.000,00
- Marcia Valente Custodio Sanders — R$ 10.000,00
- Victor Fonseca Lucchesi — R$ 5.000,00
- Claudio Neves Silva — R$ 2.000,00
Também aparecem no levantamento anterior contribuições menores realizadas por outros apoiadores.
O contraste financeiro entre Cleitinho e Alexandre Kalil é um dos pontos que mais chamam atenção.
A diferença entre os dois candidatos é de aproximadamente R$ 13.796.000,00. O caixa declarado por Cleitinho equivale a cerca de 1,5% dos recursos da campanha de Kalil.
Em valores absolutos, Kalil declarou aproximadamente 66,6 vezes mais recursos que Cleitinho no período analisado.
Rafael Duda tem R$ 100 mil declarados
A campanha de Rafael Duda (PSTU) declarou R$ 100 mil em receitas.
O valor foi repassado integralmente pela Direção Nacional do PSTU.
Professor Túlio Lopes arrecada por financiamento coletivo
O candidato Professor Túlio Lopes (PCB) declarou R$ 6.366,08.
O valor aparece registrado por meio da plataforma QueroApoiar.com.br, utilizada como intermediária para o financiamento coletivo.
Entre os doadores originários identificados estão:
- Emanuel Bonfante Demaria Junior — R$ 1.064,08
- Sidneia Aparecida Mainete — R$ 500,00
- Pedro Bruno Oliveira — R$ 500,00
- Arutana Coberio Terena — R$ 500,00
O restante do valor é composto por outras contribuições realizadas por meio da arrecadação coletiva.
Três candidatos ainda não declararam receitas
No recorte analisado, três candidaturas não apresentavam recursos declarados à Justiça Eleitoral:
- Ben Mendes (Missão) — R$ 0,00
- Henrique Áreas (PCO) — R$ 0,00
- Indira Xavier (UP) — R$ 0,00
Também não havia registro de doadores no levantamento apresentado.
Ranking financeiro da disputa pelo Governo de Minas
| Posição | Candidato | Partido | Receitas declaradas |
| 1º | Alexandre Kalil | PDT | R$ 14.006.300,00 |
| 2º | Flávio Roscoe | PL | R$ 10.155.038,12 |
| 3º | Mateus Simões | PSD | R$ 8.288.000,00 |
| 4º | Patrus Ananias | PT | R$ 5.336.641,85 |
| 5º | Gabriel Azevedo | MDB | R$ 300.000,00 |
| 6º | Cleitinho Azevedo | Republicanos | R$ 210.300,00 |
| 7º | Rafael Duda | PSTU | R$ 100.000,00 |
| 8º | Professor Túlio Lopes | PCB | R$ 6.366,08 |
| 9º | Ben Mendes | Missão | R$ 0,00 |
| 10º | Henrique Áreas | PCO | R$ 0,00 |
| 11º | Indira Xavier | UP | R$ 0,00 |
Quatro campanhas concentram 98,4% do dinheiro
A fotografia financeira da eleição mineira revela uma concentração extremamente elevada de recursos.
Somadas, as campanhas de Alexandre Kalil, Flávio Roscoe, Mateus Simões e Patrus Ananias acumulam R$ 37.785.979,97.
O valor representa aproximadamente 98,4% dos R$ 38.402.646,05 declarados por todos os candidatos ao Governo de Minas no período analisado.
Na prática, isso significa que praticamente todo o dinheiro movimentado oficialmente pelas campanhas está concentrado em apenas quatro candidaturas.
O cenário evidencia uma disputa marcada por grandes diferenças na capacidade financeira dos concorrentes. Enquanto os principais candidatos já contam com estruturas milionárias, outros ainda trabalham com recursos inferiores a R$ 1 milhão — e alguns sequer apresentaram receitas declaradas.
A prestação de contas eleitoral continua sendo atualizada ao longo da campanha. Por isso, os números podem sofrer alterações à medida que novas doações, repasses partidários e demais receitas forem informados oficialmente à Justiça Eleitoral.O acompanhamento dos dados permite ao eleitor conhecer a origem dos recursos utilizados nas campanhas e acompanhar, com mais transparência, quem está financiando cada candidatura na disputa pelo Governo de Minas Gerais.
