Alimentação que acolhe: refeições nos alojamentos do JEMG unem sabor, cuidado e energia para os estudantes-atletas

Pará de Minas

Nos 22 alojamentos da etapa estadual do JEMG em Pará de Minas, cardápio diversificado e preparado com carinho contribui para o desempenho dos jovens e transforma as refeições em momentos de acolhimento

Mais do que garantir energia para uma rotina intensa de competições, a alimentação oferecida aos estudantes-atletas durante a etapa estadual dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG), em Pará de Minas, tem desempenhado um papel fundamental no acolhimento das delegações. Nos 22 alojamentos disponibilizados pelo município, as refeições são preparadas com atenção à qualidade, à variedade e, sobretudo, ao carinho de quem está por trás de cada prato servido.

No refeitório da Escola Municipal Dom Bosco, onde estão alojados atletas de diferentes municípios mineiros, o cardápio chama a atenção pela diversidade. Arroz, feijão, carnes, acompanhamentos, saladas variadas e frutas compõem as refeições, garantindo aos jovens uma alimentação equilibrada para enfrentar a maratona de jogos.

Mas, para quem prepara e para quem saboreia, existe um ingrediente que não aparece na lista do cardápio: o afeto.

A cozinheira Maraísa Oliveira Souza, da Escola Municipal Dom Bosco, resume o espírito que envolve o trabalho realizado durante o JEMG. Para ela, preparar refeições para os atletas exige organização, dedicação e, principalmente, amor.

“Primeira coisa é ter muito amor para preparar. Tudo que você vai comer tem que ter muito amor envolvido. Pode ser o melhor tempero, pode ser a melhor cozinheira, mas, se não tiver amor, não fica bom”, destaca.

A rotina na cozinha começa muito antes de os estudantes chegarem ao refeitório. Para garantir que os pratos sejam servidos quentes e com qualidade, parte do preparo é finalizada pouco antes das refeições.

“Eu gosto de preparar tudo na hora que vou servir. Eu chego, termino o que está sendo preparado e deixo tudo pronto para servir quentinho. Acabo de colocar na mesa, tiro do fogão, ponho na mesa e já aviso eles”, explica Maraísa.

A estratégia também envolve organização para atender rapidamente o grande número de estudantes. Os atletas são orientados a utilizar os dois lados da mesa do refeitório, evitando filas e permitindo que todos recebam a comida ainda quente.

E o resultado desse trabalho pode ser percebido rapidamente. Segundo a cozinheira, o refeitório costuma esvaziar pouco tempo depois do início das refeições.

“Sirvo o almoço às 11h30 e, meio-dia, já não tenho mais nada. É um sentimento de dever cumprido. Eu coloquei amor naquilo que servi. É muito gratificante ver todo mundo comendo, todo mundo elogiando e não sobrar nada”, conta.

O sabor que lembra casa

Entre os estudantes-atletas, a percepção sobre a alimentação também revela uma dimensão que vai além da nutrição. Longe de suas famílias e de suas cidades, muitos encontram nos sabores preparados nos alojamentos uma lembrança de casa.

É o caso de João Gabriel Barbosa Silva, atleta de badminton de Coronel Murta. Ele elogiou a variedade oferecida no almoço e destacou a presença de diferentes verduras e legumes.

“Meu almoço hoje eu gostei bastante porque tem uma boa variedade dos alimentos. A quantidade de calorias é certa, dá bastante energia, bastante carboidrato, proteínas são excelentes. A quantidade de variedades que eles colocam ali para experimentar é muito boa. Tem rúcula, alface, tomate, às vezes cebola, beterraba, cenoura. Somente coisas boas”, afirmou.

Para João Gabriel, a alimentação também fez diferença na disposição para competir. Mesmo enfrentando adversários considerados fortes, ele conta que conseguiu entrar em quadra com energia para dar o máximo durante as partidas.

“Deu muita energia, deu para jogar bastante”, relata.

O atleta também percebeu o cuidado das profissionais responsáveis pelo preparo. Segundo ele, o sabor dos alimentos trouxe uma sensação de proximidade com a própria família.

“Dá para sentir. O tempero foi bom, eu gostei. Dava para ver o cuidado. Dá para lembrar sim. O feijão bem caprichado com o tempero, muito parecido com o da minha casa, inclusive, que é feito lá em casa mesmo, minha avó que faz”, contou.

O arroz e a carne também receberam elogios do estudante, que descreveu a experiência gastronômica como parte marcante de sua passagem por Pará de Minas.

“O feijão lembra o da minha mãe”

A mesma sensação foi compartilhada por Pedro Gabriel Cardoso Pereira, também integrante da equipe de badminton de Coronel Murta. Para ele, as saladas, especialmente o tomate, foram um dos destaques da refeição.

“Estava delicioso, principalmente a parte das saladas. Eu sou apaixonado por tomate, esse tomate muito bem temperado. O feijão, para mim, lembra muito o feijão da minha mãe. O arroz estava tudo muito gostoso. Eu até repeti”, afirmou.

A comparação com a comida preparada pela mãe foi ainda mais marcante para o atleta, que relatou ter sentido esse sabor familiar desde a chegada ao alojamento.

“Só de chegar, quando eu comi, já senti o gosto do tempero da minha mãe. Estava muito gostoso”, disse.

Para Pedro Gabriel, a alimentação também teve impacto direto na disposição para as atividades esportivas. Ele conta que acordou inicialmente desanimado para competir, mas percebeu uma mudança após a refeição.

“Quando eu comi, senti que já tinha mudado. Deu uma energia a mais. Tudo aqui é bem selecionado e feito para dar energia mesmo”, destacou.

Experiência que vai além das quadras

A passagem pelo JEMG em Pará de Minas, para os jovens de Coronel Murta, também foi marcada pela oportunidade de conhecer novos lugares, fazer amizades e vivenciar uma experiência diferente daquela rotina habitual.

João Gabriel contou que aproveitou a estadia para conhecer espaços da cidade e destacou positivamente o acolhimento recebido.

“Foi muito bom. Acho que até agora não tive nada de ruim. Fui ao shopping, fui a algumas quadras, joguei aqui na escola também. É muito bom, gostei muito daqui. Eu vou vir aqui de novo”, afirmou.

Pedro Gabriel também destacou a cidade e citou a visita ao Cristo como uma das experiências que pretende guardar na memória.

“Adorei. Principalmente quando fui no Cristo. Para mim, é uma cidade muito bem estruturada, ótima para acompanhar os jogos”, avaliou.

Mas, ao falar sobre o que levará de Pará de Minas para Coronel Murta, o estudante resume a dimensão humana da experiência.

“Além dos jogos, para mim, tudo. Os amigos que fiz aqui, as boas companhias que tinha, tudo, literalmente tudo”, declarou.

Cuidado que se transforma em memória

A fala dos atletas confirma que a experiência de um grande evento esportivo não é construída apenas dentro das quadras. O alojamento, a alimentação e a forma como cada estudante é recebido também fazem parte da competição e podem transformar uma viagem esportiva em uma lembrança para toda a vida.

Para Maraísa, são justamente os pequenos gestos dos estudantes que tornam o trabalho ainda mais gratificante. Depois das refeições, alguns atletas passam pela janela da cozinha para agradecer.

“Eles comem, passam ali na janela e falam: ‘Tia, estava gostoso demais. Tia, obrigado’. É aquela coisinha que fica na cabeça da gente. Tem gente que não gosta, outras já gostam, mas quando falam que a comida estava uma delícia e vão repetindo uma, duas, três vezes, não tem preço”, relata.

O carinho demonstrado pelos estudantes funciona como reconhecimento pelo trabalho realizado diariamente por toda a equipe responsável pela alimentação.

“Se for fazer as coisas, faz bem feito. Põe amor no que faz e, automaticamente, acaba”, resume a cozinheira.

Em Pará de Minas, o JEMG movimenta o esporte escolar, promove encontros entre jovens de diferentes regiões de Minas Gerais e fortalece a integração entre os municípios. Nos alojamentos, porém, existe uma outra competição sendo vencida todos os dias: a missão de cuidar, alimentar e acolher cada estudante-atleta como se estivesse em casa.

Entre um prato servido e outro, entre uma repetição e um “obrigado, tia”, a alimentação ganha um significado especial. É energia para competir, sabor para matar a saudade e carinho para fazer com que, mesmo longe de casa, os jovens se sintam acolhidos.