A Guarda Civil Municipal (GCM) de Pará de Minas deu um passo importante para fortalecer a segurança pública e a proteção de mulheres vítimas de violência no município. Em uma cooperação técnica com a GCM de Betim, a corporação realizou nos dias 29 e 30 o curso Primeira Resposta às Ocorrências de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. O treinamento é voltado para os agentes locais e busca qualificar o atendimento de ponta, tornando-o mais humano, técnico e integrado à Lei Maria da Penha.
A capacitação foi ministrada pela agente Nayara Souza, da GCM de Betim. Ela trouxe para Pará de Minas a bagagem prática adquirida na Patrulha de Proteção à Mulher de seu município. O conteúdo programático foca em pilares essenciais como as técnicas de acolhimento humanizado e procedimentos para o primeiro atendimento.

Para o Subcomandante da Guarda Civil de Pará de Minas, Ramon Ribeiro de Abreu, a troca de experiências entre as Guardas de Betim e Pará de Minas ajuda a padronizar e reestruturar os procedimentos operacionais padrão internos: “Esse curso tem como objetivo capacitar os agentes da Guarda Civil Municipal de Pará de Minas. Em ocorrências de violência doméstica e familiar contra a mulher, o objetivo é que os agentes estejam mais atualizados e preparados para realizar um atendimento mais humanizado e técnico, garantindo a segurança tanto da vítima quanto do próprio agente. Atualmente, todo o efetivo da Guarda Civil Municipal de Pará de Minas está participando desse treinamento”.
DIÁRIO: Existe um plano para criar uma patrulha ou grupamento especializado no atendimento às mulheres em Pará de Minas, nos moldes do que já ocorre em Betim?
Ramon Ribeiro: – Sim. Um dos objetivos dessa capacitação é justamente possibilitar, no futuro, a implementação de uma patrulha especializada da Guarda Civil Municipal. Dessa forma, será possível ampliar as atribuições da instituição e oferecer um serviço ainda mais qualificado à população.
DIÁRIO: Como a população de Pará de Minas pode acionar a Guarda Civil Municipal em casos suspeitos de violência doméstica e familiar contra a mulher?
Ramon Ribeiro: – A Guarda Civil Municipal pode ser acionada pelo telefone de emergência 153. A instituição já recebe denúncias e realiza intervenções nesses casos. Além disso, existe o canal nacional de denúncias Ligue 180, que presta atendimento e acolhimento às mulheres vítimas de violência doméstica.
Diário: A Guarda Civil Municipal atende diversas ocorrências. Existe algum levantamento sobre a quantidade de casos relacionados à violência doméstica e familiar contra a mulher em Pará de Minas?
Ramon Ribeiro: No momento, não disponho dos dados estatísticos. No entanto, a Guarda Civil Municipal já atendeu diversas ocorrências dessa natureza tanto na sede do município quanto nos distritos, realizando as intervenções necessárias. Em outra oportunidade, poderemos apresentar essas informações de forma mais detalhada.
Diário: Qual é a importância da cooperação técnica entre a Guarda Civil Municipal de Betim e a de Pará de Minas para a segurança pública dos dois municípios e da região?
Ramon Ribeiro: – Essa integração é extremamente importante. A Guarda Civil Municipal de Betim é uma instituição consolidada e possui ampla experiência, especialmente na atuação voltada ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. Esse conhecimento técnico e essa experiência são compartilhados com os agentes de Pará de Minas por meio da capacitação. Trata-se de uma parceria que fortalece as instituições, promove o nivelamento técnico dos profissionais e contribui para um atendimento mais eficiente e qualificado à população.
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A integrante da Patrulha de Proteção à Mulher da GCM de Betim, Nayara Souza, acredita que a qualidade do primeiro atendimento na ponta pode romper o ciclo de violência contra a mulher e evitar o feminicídio: “A instrução ministrada em Pará de Minas é voltada ao atendimento inicial das ocorrências de violência doméstica e familiar contra a mulher. O conteúdo do curso aborda o funcionamento da rede de proteção, o atendimento humanizado e a qualificação dos agentes para que realizem esse primeiro atendimento da melhor forma possível. Atuamos na Patrulha de Proteção à Mulher há aproximadamente três anos. Essa experiência nos permitiu compreender quais são as principais necessidades do atendimento inicial às vítimas. Com base nessa vivência e nas capacitações oferecidas pela corporação, inclusive por meio do Ministério da Justiça, estruturamos este curso para compartilhar esse conhecimento com a Guarda Civil Municipal de Pará de Minas e com outras instituições parceiras. Nosso objetivo é contribuir para que o primeiro atendimento seja cada vez mais humanizado, técnico e acolhedor, proporcionando à mulher em situação de violência um atendimento completo e os encaminhamentos necessários”.
Quais são os principais pilares trabalhados com os agentes da Guarda Civil Municipal de Pará de Minas durante o curso?
Nayara Souza: – Um dos principais temas abordados é o atendimento sem revitimização, além da prevenção da violência institucional. Quando a mulher recebe um atendimento adequado, com orientações corretas e encaminhamento para a rede de proteção, ela passa a conhecer os serviços disponíveis e tem mais condições de romper o ciclo da violência. Dessa forma, diminuem significativamente as chances de retorno ao relacionamento abusivo. É justamente nesse primeiro atendimento que ocorre a principal oportunidade de intervenção, razão pela qual ele deve ser realizado de forma qualificada, técnica e humanizada.
Durante o curso, observa-se que a maioria dos participantes é formada por homens. Como é tratar de um tema que afeta diretamente as mulheres diante de um público predominantemente masculino?
Nayara Souza: – É um desafio, mas também uma experiência muito gratificante. Ao longo das aulas e das atividades propostas, percebemos uma verdadeira mudança de percepção. À medida que o conteúdo é desenvolvido, muitos participantes passam a refletir sobre comportamentos e padrões culturais que aprenderam ao longo da vida. Mostramos que essas construções sociais podem ser transformadas. Costumamos dizer que, se a violência é aprendida, ela também pode ser desaprendida. Por isso, entendemos que esse conteúdo precisa ser trabalhado especialmente com os homens. As estatísticas demonstram que eles representam a maior parte dos autores de violência doméstica. Dessa forma, é fundamental promover essa conscientização para que aprendam formas saudáveis de lidar com seus sentimentos, frustrações e momentos de raiva, expressando-os de maneira respeitosa e não violenta.




