Artista e produtor cultural terá dois projetos contemplados pela Política Nacional Aldir Blanc: o coletivo Afroatitude, que há mais de 15 anos valoriza a história e a cultura negra, e a segunda temporada da websérie “Minha Vila é uma Piada”, que amplia oportunidades para diversos profissionais da cadeia artística
A cultura de Pará de Minas vive um novo momento de fortalecimento e valorização dos artistas locais. O anúncio do investimento de mais de R$ 700 mil por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) representa um marco para o setor cultural do município, beneficiando 70 projetos entre agentes culturais, coletivos, entidades e produtores independentes.
Entre os contemplados está o artista e produtor cultural Rony Morais, que teve dois projetos de sua autoria aprovados no edital: o coletivo Afroatitude e a segunda temporada da websérie “Minha Vila é uma Piada”. Com uma trajetória marcada pela dedicação à arte e pela defesa da valorização dos talentos locais, Rony destaca que o investimento representa uma transformação para quem produz cultura na cidade.
Afroatitude: mais de 15 anos contando histórias e valorizando a cultura negra

Um dos projetos aprovados é o Afroatitude, iniciativa criada em 2009 com o objetivo de preservar, divulgar e valorizar a história da população negra no Brasil e, principalmente, em Pará de Minas.
Segundo Rony Morais, o projeto nasceu da vontade de contar histórias e dar visibilidade a personalidades e manifestações da cultura negra, mesmo sem recursos financeiros.
“O Afroatitude acontece desde 2009 sem nenhuma verba. A gente sempre teve uma vontade muito grande de contar a história do negro no Brasil, do negro em Pará de Minas, dos nossos destaques. A gente fazia porque acreditava na importância desse trabalho”, explica o artista.
Com a chegada dos recursos públicos destinados à cultura, o projeto ganhou novas possibilidades. Rony lembra que, em 2024, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, foi possível ampliar as ações e profissionalizar as atividades.
“A gente conseguiu turbinar o projeto e elevar o nível. Fizemos transmissão ao vivo com vários artistas negros e conseguimos pagar cachê para esses artistas. Isso mostra que a cultura também gera trabalho e renda”, destaca.
O Afroatitude utiliza diferentes linguagens artísticas, como dança, música, audiovisual e produção de documentários, para registrar histórias e fortalecer a identidade cultural.
“A gente já documentava isso, colocava no YouTube, na televisão, apresentava personagens negros através da dança e da música. Existia a vontade e existiam pessoas acreditando no projeto. Agora conseguimos alcançar muito mais pessoas”, afirma.
“Minha Vila é uma Piada”: segunda temporada amplia rede de profissionais da arte
O segundo projeto aprovado foi a continuidade da websérie “Minha Vila é uma Piada”, uma produção criada por Rony Morais que apresenta personagens e histórias inspiradas no cotidiano e na cultura popular.

O projeto ganha ainda mais significado neste ano em que o artista comemora 30 anos de carreira.
“É algo pelo qual sou apaixonado. Eu conto a história dos meus personagens e agora vou poder dar continuidade à segunda temporada da websérie. Fiz a primeira praticamente sozinho durante a pandemia, mas agora teremos condições de contratar profissionais”, conta.
Com o novo investimento, a produção poderá envolver maquiadores, fotógrafos, figurinistas, cenógrafos, escritores e outros trabalhadores da cultura.
Para Rony, um dos principais objetivos é mostrar que por trás de um artista que aparece diante das câmeras existe uma grande equipe responsável pela construção da obra.
“O Rony vai aparecer, mas atrás tem um monte de profissionais. Tem quem escreve, quem maquia, quem pensa no figurino, quem monta cenário. Essas pessoas também trabalham e precisam receber pelo seu talento”, ressalta.
“A cultura de Pará de Minas sempre existiu, agora ela está preparada”
Ao avaliar o impacto da PNAB, Rony Morais destaca que os artistas locais sempre produziram cultura, mesmo enfrentando dificuldades e falta de recursos.
“A gente já fazia arte sem precisar de prefeitura ou Secretaria de Cultura, porque artistas continuam existindo independentemente de governos. Eu tenho 30 anos de carreira, a Isabel tem mais de 30 anos, e a gente sempre fez arte”, afirma. Para ele, o grande diferencial dos investimentos atuais está na oportunidade de profissionalização e ampliação do alcance dos trabalhos. “Sem esse apoio a gente faz. Com esse apoio, a gente fica gigante. A gente chega em lugares que nunca imaginou chegar”, enfatiza.
O artista também destaca a importância da Secretaria de Cultura como um espaço de encontro e preparação dos produtores culturais.
“A Secretaria tem o poder de reunir todos os artistas: das artes visuais, dança, música, cinema, artes plásticas. Todos passam por aquela casa. É uma casa que prepara, capacita e mostra os caminhos para que os artistas possam acessar esses recursos”, avalia.
Capacitação é fundamental para acessar novos investimentos
Um dos pontos mais destacados por Rony durante a entrevista foi a importância da capacitação dos artistas para elaboração de projetos e participação em editais. Segundo ele, o momento atual exige uma nova postura dos produtores culturais
“A gente precisa mudar a mentalidade. Eu mesmo pensava: sou artista, decoro texto, dirijo, faço várias coisas. Mas percebi que também preciso entender leis, saber como funciona um edital, como escrever um projeto e buscar informações”, relata.
Para o artista, a preparação técnica é tão importante quanto o talento. “Não basta apenas fazer arte. É preciso entender como ela funciona dentro das políticas públicas. Se você não se atualizar, sua arte fica para trás”, alerta. Ele reforça que a Secretaria de Cultura tem papel fundamental nesse processo, oferecendo orientação para que os artistas possam transformar ideias em projetos aprovados.
“A arte de Pará de Minas é inquestionável. Nós somos um celeiro de talentos. Agora estamos preparados para escrever projetos, mostrar nosso trabalho e alcançar novos espaços”, afirma.
Mensagem aos artistas: “A sua arte precisa ganhar o mundo”
Ao final da entrevista, Rony deixou um recado aos artistas que desejam participar dos próximos editais. “Não fique apenas no palco. Vá atrás, procure informação, participe das capacitações, conheça as leis e faça seus projetos. O mundo precisa da sua arte”, orienta. Para ele, a cultura tem o poder de transformar vidas e ampliar horizontes. “O que está dentro da sua bolha, fazendo para poucas pessoas, é fácil. Mas a sua arte existe para ganhar outros lugares, outros palcos. Ela existe para deixar o mundo mais livre e mais leve”, conclui.
